setembro 27, 2020

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Projeto da Intel com a Accenture utiliza IA para salvar recifes de corais

Os recifes de coral espalhados pelo mundo constituem alguns dos ambientes mais diversos que a ecologia marítima tem a oferecer — e um dos mais ameaçados também. Segundo estudo de 2019 publicado na revista Nature, a incidência de novos corais na Grande Barreira australiana caiu 89% entre 2016 e 2019 devido ao aquecimento global.

Projeto de recuperação de corais emprega tecnologias da Intel e Accenture para análise de dados coletados via inteligência artificial (Imagem: Divulgação/Intel)

A fim de não apenas evitar a repetição dessa situação em outros locais do mundo, mas também tentar recuperar o que já se tem e se perde nesse aspecto, a Intel e a Accenture firmaram uma parceria com a Fundação Ambiental Sulubaii, das Filipinas, para criar e implementar uma solução de inteligência artificial para analisar e recriar recifes de coral.

Batizado de “CORaiL”, o projeto tem a premissa de analisar imagens coletadas de recifes onde ele é implementado, usando a IA e a chamada edge computing (“tecnologia de borda”) para que especialistas de posse dessas informações e dados possam criar práticas de recuperação de recifes afetados pela ação do homem. Em maio de 2019, o piloto do CORaiL foi posicionado no recife que cerca a ilha de Pangalatan, nas Filipinas, e desde então já coletou mais de 40 mil imagens que vem sendo usadas por pesquisadores na avaliação da saúde ecológica da região.

“O Projeto: CORaiL é um ótimo exemplo de como a IA e a tecnologia da borda podem ser usadas para apoiar pesquisadores no monitoramento e recuperação dos recifes de corais. A aliança com Accenture e a Fundação Ambiental Sulubaii é um passo importante para a proteção do nosso planeta”, afirma Rose Schooler, vice-presidente corporativa do grupo de Vendas e Marketing da Intel.

O funcionamento do projeto é bem simples, apesar de haver uma cadeia de processos bem complexa sobre ele: o primeiro passo é a criação de uma plataforma de concreto onde fragmentos de coral são posicionados. A ideia é incentivar o crescimento desses corais, observado por câmeras de vídeo inteligentes, equipadas com a solução Applied Intelligence Video Analytics Services (VASP) da Accenture para identificar e fotografar os peixes que passam por lá. Essa função usa a IA para contar e classificar a vida marinha, enviando os dados para um painel em terra firme, fornecendo análises e tendências aos pesquisadores em tempo real, o que facilita a tomada de decisões.

“O valor dos dados depende da rapidez com que são obtidas as informações para tomar decisões a partir delas”, disse Athina Kanioura, chefe de análise da Accenture e líder da Accenture Applied Intelligence. “Com a capacidade de fazer análises em tempo real no streaming de vídeo, o VASP nos permite explorar uma fonte de dados rica – na verdade, fazendo um monitoramento prático sem perturbar o ambiente subaquático”.

A solução VASP da Accenture é alimentada pelo processador Intel Xeon, placas de aceleração programável Intel FPGA, Intel Movidius VPU e o conjunto de ferramentas de distribuição Intel OpenVINO.

A retração na população de corais vem sendo alavancada em grande parte pelo mau comportamento ambiental humano, evidenciado pela pesca predatória e o avanço do aquecimento global (Imagem: Divulgação/Intel)

Cerca de 800 espécies de coral vivem em recifes de variados tamanhos, espalhados pelo mundo. Juntos, eles são responsáveis por cerca de 25% da vida marinha do planeta, além de protegerem regiões costeiras contra tempestades e servirem de alimento e renda para aproximadamente um bilhão de pessoas, de acordo com a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional, um órgão ligado ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Atualmente, porém, os recifes de coral no mundo estão em completa retração, alavancada por diversos fatores imputados ao homem, como a pesca predatória e o aquecimento global.

“A inteligência artificial oferece oportunidades inéditas para resolver alguns dos cenários mais constrangedores causados pelo ser humano”, explica Jason Mitchell, diretor geral para a prática de Communications, Media & Technology da Accenture e principal interface da empresa com a Intel. “Nosso ecossistema de parceiros corporativos e sociais nessa iniciativa de ‘IA para o bem social’ mostra que os números do impacto ambiental positivo são robustos.”

O próximo passo do CORaiL é a criação de sistemas de registro de imagens noturnas por câmeras infravermelhas, bem como análise de processos migratórios de espécies marítimas e o monitoramento ativo de áreas submarinas protegidas ou de acesso restrito. A Intel e a Accenture também buscam criar otimizações na rede neural e implementar fontes reservas de alimentação do projeto.

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